quinta-feira, 7 de maio de 2009

TRÊS ANOS QUE JEFFERSON RODRIGUES PAROLI PARTIU...

Noite de quinta-feira que antecedeu o dia das mães, ano de 2006, o dia foi um tanto atípico!
Houve na noite desse dia um jantar em homenagem as mães no restaurante Santa Felicidade, oferecido pelo CEI Caminhar, onde minha filhinha de dois anos estudava!
O dia foi tão difícil que não encontrei forças para participar do evento proposto.
Por volta das 19:00h saí do abrigo onde eu atuava como coordenadora pedagógica e nesse dia estava como coordenadora administrativa também, uma vez que o coordenador em exercício viajara para São Paulo.
Até aí, nada de diferente!
Durante o dia houve ameaças por parte dos internos...
Ouvi algo do tipo, que havia uma arma atrás da minha sala(escritório)...etc.
Mais estes comentários e ameaças eram comum naquele contexto!
Ao chegar em casa, logo recebi um telefonema do abrigo Casa de Passagem, o educador Jefferson
que estava atuando em outro abrigo, a pedido da equipe técnica (eu havia ligado para ele pedindo que já voltasse naquela noite), retornou à Casa de Passagem após mais de um ano no outro abrigo.
O motivo que ele me ligou foi que eu levei a chave do almoxarifado para casa.
Eu disse que levaria a chave a ele, porém, meu esposo que saiu para ir "rapidinho" na casa de sua mãe, demorou mais de duas horas!
Por alguma razão, nada comum da minha parte, eu esqueci que teria que levar a chave!
Por volta das 11:30h, eu já estava dormindo, acordei com o chamado do telefone, era o educador novamente, este me disse que o motorista tinha pego as chaves com o auxiliar administrativo e sobre este motivo estava tudo bem.
Como muitas outras vezes nos últimos anos em que trabalhamos juntos (eu eo Jefferson), este educador me ligava e gostava de conversar, talvez pelo fato dele morar sozinho, segundo ele, não tinha família, assim demonstrva uma certa carência e necessidade de atenção!
Ele sempre contava dos desamores de sua infãncia e adolescência!
Por muitas vezes acompanhou os internos à igreja e participava dos cultos promovidos no abrigo.
Mas voltando a falar da ligação do educador naquela noite, as palavras dele ainda estão nítida na minha memória! Ele perguntou se continuava sem guarda no local, falou do perigo que todos nós enfrentávamos, especialmente os educadores noturno.
Apesar de um pouco temeroso, Jefferson estava alegre, pois faltavam apenas dois dias para o seu casamento com uma linda jovem e faziam planos de construir a família que sempre sonhara!
Antes de desligar o telefone, ele me tranqüilizou dizendo que qualquer situação estranha, ele ligaria para alguns amigos da p2, (serviço de investigação da polícia militar).
De acordo com a perícia, esta ligação foi a última comunicação do jovem educador!
Foi ali na Rua da Bandeira, esquina com a Rua Engenheiros Rebouças, no casarão, abrigo Casa de Passagem, numa noite fria, tão fria como os corações daquele 5 internos que sem piedade, puseram fim a vida de um jovem sonhador na casa de seus 20 anos!
JEFFERSON RODRIGUES PAROLI... educador social, professor do ensino fundamental na rede municipal de ensino...sonhador...orgulhoso de suas conquistas na vida...
Há três anos de sua partida, não sabemos quem apertou o gatilho primeiro! Perguntamos e não temos resposta: por que? haverá justiça?
Eu sinto saudade! Do seu jeito, você acreditava naqueles meninos!
Toda a equipe de funcionários do abrigo protestamos, fechamos o abrigo, fizemos passiata, reuniõs com PREFEITO, JUIZ...
Clamamos, nos vestimos de luto, pedimos mais segurança e condições para atuação nos abrigos...
Choramos... talvez fui covarde, mas eu abandonei a causa...desacreditei no que eu muito tempo acreditei...saí do barco...pedi tranferência até de secretaria!
Me indignei... no velório encontrei o vice-prefeito e secretário de educação naquela ocasião...
Era aniversário do prefeito, este comemorou muito, fiquei sabendo de três festas, eu era convidada para uma delas!
O abrigo vivia o maior descaso dos últimos anos: falta de alimentos, roupas para os adolescentes, segurança etc...
Perdemos a conta da quantidade de ofício solicitando providência!
Recebemos a visita e depois relatório da equipe dos direitos humanos e da OAB Ordens dos Advogados... mas nada aconteceu...
Hoje, sinto saudade do amigo Jefferson...
Fiquei sabendo que quatro daqueles adolescentes estão presos, são maiores de idade e fazem parte do PCC.
O 5º adolescente em questão, a última notícia que soube é que ele havia se convertido em na Fazenda Rio Grande onde estava detido. Meu esposo recebeu uma carta dele...
Durante os últimos três anos que antecederam este fato, eu ia ao abrigo a qualquer hora do dia ou da madrugada resolver problemas, inclusive durante toda minha gestação...mas naquela noite, algo ou Alguém me impediu de ir até lá...

3 comentários:

Cleonice Luiza Moreira de Sá disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
eurico stein disse...

Este educador era meu amigo, agora fico lembrando dos trabalhos que fizemos juntos no Wilson Joffre, das quedas de braço etc. uma pessoa inteligente, uma pessoa que eu gostava de estar conversando.
Também sou professor e atuei nas escolas estaduais de Cascavel e região e por várias vezes tive problemas com esses menores que a justiça inciste em colocar nas escolas, massacrando ainda mais essa classe de trabalhadores que investe uma vida para ser refem de menores inconsequente.
Hoje trabalho em SC e sexta 04.05.12 tive a infeliz experiência de ouvir um adolescente do nono ano dizer "vamos linchar, pegue um cabo de vassoura". e a justiça?? HAHAHA parece que é moda "linchar" e esses inconsequentes estão ai solto.
Agora se eu tivesse falado ou feito qualquer coisa contra este adolescente com certeza haveria alguem pra tomar providencia.
É LAMENTÁVEL ESTA JUSTIÇA