quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Barbie, Susi ou Polly????


Tive um sonho  estranho esta noite e após orar pela manhã estou aqui transpondo minhas reflexões!
Sou grata a Deus pelos filhos abençoados que Ele nos concedeu e agora tem  mais um(uma) no meu ventre...é alegria demais poder gerar, dar a luz, amamentar..
Embora  minhas gravidez sejam planejadas, oradas e pedidas a vontade plena do Pai, me preocupo com muitas coisas, entre elas a educação, especialmente na primeira infância, sendo esta educação inicial satisfatória, as etapas a seguir terá menos chance de NÃO serem boas.
("Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele" Provérbios 22:6).

Na minha infância passei fome, medo e tantas coisas adversas ao desenvolvimento saudável de uma criança, todavia, hoje nossas crianças estão muito mais expostas ao que não edifica do que aquele tempo de simplicidade no sítio.

Procuro o tempo todo selecionar programas de televisão, tipos de desenhos, joguinhos no computador que as crianças possam explorar em “segurança”. Sim, meus filhos assistem desenhos e exploram jogos educativos no computador. Geralmente assistimos jornal também na minha casa e algumas partidas de futebol, entretanto, não sabemos nem nomes de novelas que estão no ar ou que passaram nos últimos  anos...
Com todo cuidado que temos, as vezes nos deparamos com coisas inadequadas do ponto de vista Bíblico e pedagógicos.
Temos assinaturas de algumas revistas  cientificas e como atualmente a exposição do corpo é tão natural, mesmo sendo outro propósito das referidas revistas, as vezes me deparo com fotos , principalmente de mulheres quase nuas..como não posso privar meus filhos de tudo, nem cria-los numa redoma, eles olham as revistas, assim sendo, ao receber as mesmas, arranco as folhas inadequadas...
Até parece ingenuidade minha, pois quando saem na rua, é comum os outdoors indecentes espalhados pelas ruas, todavia penso que é importante eles saberem que por mais que seja natural aí fora, no nosso lar NÃO E NÃO...
Outro fator, especialmente o presente no meu sonho desta noite, são os brinquedos que deixamos nossos filhos manejar. Se algum leitor que por ventura aqui passar já presentearam meus filhos com alguns dos brinquedos que vou citar, peço desculpas, mas tais brinquedos não permaneceram nas mãos deles.
Trata-se de “armas de fogo” e bonecas sensuais e/ou com corpo de mulher, como barbie, susi e outras semelhantes
Ainda antes de ser mãe, desenvolvi um projeto no programa social EURECA ll, na cidade de Cascavel, em um bairro da cidade com relevantes ocorrências de violência envolvendo armas.
De acordo com o projeto, as crianças do bairro Santa Cruz que possuíam arminhas, trocavam por carrinhos, jogos e outros brinquedos educativos. Fiquei muito grata com os resultados e o projeto ganhou força com o apoio da imprensa, área da infância e outros segmentos.
Bem, nem preciso dizer que seleciono os brinquedos dos meus filhos na medida do possível. É claro que o Davi ganhou arminhas em aniversários e outras ocasiões, mas todas foram destruídas.
Do mesmo modo, a Sara já ganhou em aniversários, dia das crianças, bonecas com corpos de adultos mas assim como as arminhas, foram destruídas literalmente, nunca colocamos no lixo, pois outra criança pode encontrar e o que não queremos para nossos filhos não desejamos para outras crianças também.
É claro que as arminhas , até devido o projeto criado de desarmamento, se tornou mais fácil a conscientização da sociedade dos perigos causados quando deixamos nossas crianças manusear tal "brinquedo", todavia, as bonecas sensuais com formas de adulto, é mais sutil, parece mais inocente uma vez que seus efeitos são mais camuflados.
Em 2009 participei do congresso Ibero americano de formação de professores em Santa Maria (RS), e havia vários artigos relacionados ao brincar e brinquedos do universo infantil e todos os países participantes trouxeram uma reflexão e se assim posso dizer, uma denuncia sobre a manipulação sobre os consumidores desse tipo de brinquedos.

“Duas bonecas Barbie são compradas, a cada segundo, em algum lugar do planeta.
Com a troca constante de embalagens e o visual adaptável às diferentes etnias, a boneca
norte-americana construiu uma memória do mundo em quase meio século de existência.
Sempre mostrando seu sucesso atrelado à beleza e a um comportamento jovem e
consumista, Barbie atingiu o Novo Milênio com o status de boneca mais vendida no
mundo. Mas, o que poucos sabem, é que Barbie tem uma descendência alemã e é fruto de
um modelo feminino ideal do pós-guerra”( STEINBERG (2001) e LORD (2004).
Segundo a história a barbie foi criada para homens  adultos após a segunda guerra mundial, além de ser símbolo sexual era usada para dar de presentes para as namoradas no lugar de flores...

Ruth Handler e Elliot Handler foram os fundadores da empresa de brinquedos que
fabrica a Barbie, a Mattel. Em 1956, o casal passava as férias com a família na Suíça
quando Ruth, fazendo compras com sua filha adolescente, viu uma boneca que não
conhecia. A menina quis comprá-la para enfeitar seu quarto e a mãe levou duas bonecas
para a filha e uma para entregar aos executivos da Mattel, pois havia vislumbrado a
possibilidade de fabricar uma boneca com corpo adulto, como há anos desejava criar.
A boneca se chamava Lilli, era personagem de caricaturas do jornal alemão Bild-
Zeitung. Lilli apresentava-se como uma derrotada no pós-guerra que fazia de tudo para
trazer de volta sua prosperidade: estampada nas histórias de maneira pornográfica, ela
costumava perseguir homens ricos em busca de dinheiro e sucesso. Transformada em
boneca, Lilli era uma espécie de mascote para os homens adultos. Vendida em bares e
tabacarias, Lilli não era direcionada para crianças; a boneca ficava sentada com as pernas
abertas em um balanço ou em um burrico e servia tanto para ser colocada no painel do
carro como um presente para as namoradas no lugar de flores.
Lilli é então precursora da Barbie (nome dado em homenagem à filha de Ruth”( ROVERI1, Fernanda Theodoro – UNICAMP).

Se observarmos as propagandas de brinquedos dirigidas às meninas, também
veremos que elas investem de forma importante na idéia de cultivo à beleza como
algo inerente ao feminino, aliada sempre ao supérfluo, ao consumo desenfreado,
ou seja, não basta ter apenas a boneca Barbie, Susi ou Polly, é preciso ter todos os
modelos e variações da mesma boneca e seus respectivos acessórios(ibd). Barbie ainda ensina para as crianças como elas devem se apresentar corporalmente,
vendendo não só seus produtos, mas o estilo de vida que está em alta no mercado. No site
brasileiro da boneca, é possível participar de diversas atividades com a Barbie e aprender
que é essencial ter uma roupa para cada ocasião e não repetir o mesmo traje dentro de
certos espaços de tempo. Barbie e suas amigas mostram como a mulher pode ficar mais
bonita e descolada ao usar roupas que valorizam as formas femininas mais admiradas
socialmente.
Entrar no mundo da Barbie e ser como uma destas bonecas está cada vez mais
“fácil”: Qualquer mulher que não possuir uma anatomia eficaz em exaltar a eminência da
roupa escolhida, poderá contar com serviços de drenagem linfática, bioplastia, depilação a
laser, lifting, dieta natural, limpeza de pele, aparelho de ginástica passiva, bronzeamento
instantâneo e lipoescultura.
Embalada com seus atrativos da moda em um alvejado cenário de sonho e fantasia,
Barbie impõe uma significação corporal construída sob os moldes higienistas e eugênicos(naturalizaçào do social),
consagrando-se como uma das inscrições da contemporaneidade que assinala
profundamente a sua marca cor-de-rosa sob o corpo de milhões de meninas. Mesmo que
nem todas as crianças possam comprar os produtos que a publicidade da Barbie esforça-se
para vender, qualquer pessoa pode consumir os signos de gênero e sexualidade
apresentados pela boneca, que vertiginosamente ensina e produz certas formas de pensar,
de agir, de estar e se relacionar com o mundo.
(...) Sujeitos consomem não só mercadorias como também valores que
estabelecem como deve ser o corpo, como devemos nos vestir, quais
comportamentos valorizar, isso tudo não somente através das marcas de gênero,
como também de raça/etnia, classe, geração, para citar algumas. (SABAT,
2003, p.153).
Outro fato que talvez  me adentrarei em outro momento é que ao comprarmos brinquedos para nossos filhos, parece que o mercado define bem o que é de meninos e o que é de meninas, mas na prática, fica difícil classificar isso, não acho inocente, nem prudente minha filha trocar roupas, manipular uma bonecas com formas de corpo adulto, seios e tudo mais.
Compreendo a importância do brincar, acredito que a menina desde de pequena se prepara para a maternidade, como cuidar de um bebe etc, entretanto, uma barbie, uma susi, ou polly, ou semelhante não tem nada a despertar de instinto materno, muito pelo contrário.
Este assunto é amplo e vale ser considerado, mas por alguma razão e urgência de postar isso, nem vou corrigir e poderia ser melhor escrito, certamente aprofundarei a reflexão a cerca da temática em outra ocasião.

1 comentários:

Laura_Bianca disse...

Que bom que você ensina os valores para seus filhos, isso é ótimo, são crianças assim que serão as futuras pessoas do bem, parabéns. Concordo que armas de brinquedos para crianças são horríveis, mas sobre a Barbie, eu não concordo em destruí-las, elas tem suas roupas. Beijos e mais uma vez: " Parabéns ! "